RONCAR é normal? Quando pode ser um sinal de alerta?

Mulher deitada na cama com expressão de incômodo, tampando os ouvidos com as mãos enquanto o parceiro dorme ao fundo, sugerindo desconforto com ronco durante a noite.

“Você está roncando muito”, talvez você já ouviu isso ou conhece alguém que ronca rsrs

Isso acontece quase sempre dentro de casa e quase sempre vira piada. O ronco foi normalizado e virou algo “comum”. Porém nem tudo que é comum é saudável. E, às vezes, o seu corpo começa a avisar e o ronco pode ser esse aviso.

O problema por trás do barulho

O ronco não é só um som, é um sinal.

Nem todo ronco é perigoso mas também nem todo é inofensivo. Muita gente convive com isso por anos sem investigar, e aí mora o problema.

Porque o ronco pode ser o primeiro indício de distúrbios do sono e isso impacta muito mais que a sua noite: Impacta sua energia, seu humor, sua saúde, além de aumentar as chances de infarto, AVC e até mesmo, doença de Alzheimer. Sem contar que a qualidade do seu dia começa na noite anterior.

Percebeu que ronco não é tão simples como se parece?

Por que você não deveria ignorar o ronco

Você acorda cansado mesmo dormindo horas suficientes? Isso não é normal! Fica cansado e com sono durante o dia? isso também não é normal!

O sono deveria restaurar, não desgastar. Quando isso não acontece, o corpo sente. Você fica mais irritado, menos produtivo, com dificuldade de concentração.

É como tentar funcionar com a bateria sempre no vermelho. E aqui vai um ponto importante: O ronco não é um hábito, é um sintoma, e sintoma precisa de causa.

Ignorar isso é como desligar o alarme de incêndio sem verificar o fogo.

O que é o ronco e por que ele acontece

Mulher sentada na cama usando pijama, bocejando e com expressão de cansaço, segurando um travesseiro, sugerindo dificuldade para acordar ou noite mal dormida.

Agora vamos entender o básico, o ronco acontece por vibração. Durante o sono, os músculos relaxam, inclusive os da garganta. Isso pode estreitar a passagem do ar.

O ar passa com dificuldade e gera aquele som, simples assim.

Mas existem fatores que pioram isso como dormir de barriga para cima, por exemplo.

O álcool à noite também contribui, excesso de peso é um fator importante e congestão nasal também entra na lista. Ou seja, o ronco não surge do nada, ele tem contexto.

Quando o ronco pode ser considerado menos preocupante

Sim, existe um cenário em que o ronco é mais tranquilo, porém situações pontuais como depois de um dia muito cansativo ou após consumo de álcool. Resfriados e alergias também podem causar ronco temporário.

Nesses casos, ele aparece e vai embora, sem deixar rastro, o chamado ronco benigno tem algumas características:

  • Ele é ocasional.
  • Não atrapalha o sono.
  • E não causa sintomas no dia seguinte.

Quando o ronco começa a ser preocupante

Agora, atenção aqui. Porque esse ponto muda tudo.

Se o ronco é frequente, alto e constante, é sinal de alerta. Se alguém já percebeu pausas na sua respiração, mais atenção ainda.

Engasgos durante a noite também são importantes, e tem outro detalhe: Você dorme… mas acorda cansado. Isso é um dos sinais mais comuns.

Além disso, a sonolência durante o dia não é normal. Pode ser um indicativo de algo mais sério como a apneia do sono. Esse é um dos distúrbios mais comuns e muitas vezes não diagnosticado.

A respiração para por alguns segundos, várias vezes durante a noite. Isso reduz a oxigenação do corpo e fragmenta o sono. Ou seja, você dorme… mas não descansa.

Consequências de ignorar o problema

Ignorar isso tem custo e ele não é pequeno. A longo prazo, o risco cardiovascular aumenta. Pressão alta, por exemplo, pode estar relacionada. Alterações metabólicas também entram na conta e o sistema imunológico enfraquece.

Agora pensa comigo: Se o corpo não descansa, ele não se recupera e isso afeta também sua mente.

  • Memória piora.
  • Atenção diminui.
  • Ansiedade aumenta.
  • E o desempenho no trabalho cai.

Não é só dormir mal. É viver mal.

Segundo estudos da área de medicina do sono, distúrbios respiratórios do sono estão associados a maior risco de doenças cardiovasculares e cognitivas.

Inclusive, termos como “distúrbios do sono” e “apneia do sono” têm alto volume de busca mensal, mostrando o quanto esse problema é comum e muitas vezes negligenciado .

O que muda quando você trata a causa do ronco

Pessoa alongando os braços ao acordar em frente à janela com luz do sol entrando, transmitindo sensação de disposição, bem-estar e manhã tranquila após uma boa noite de sono.

O primeiro impacto é na energia: Você acorda diferente, mais disposto, mais leve… O humor melhora, a clareza mental também.

É como se o cérebro finalmente descansasse e isso reflete em tudo. No trabalho, nas relações, na sua percepção de vida.

Dormir bem muda o jogo.

Muita gente evita investigar por medo de depender de remédio, mas nem sempre é assim. O primeiro passo é entender a causa.

Cada caso é único e soluções genéricas costumam falhar. Às vezes, ajustes simples já ajudam muito: mudar a posição ao dormir, melhorar a higiene do sono, reduzir álcool à noite.

E aqui entra a medicina do sono. O foco é resolver a raiz com base em ciência e com autonomia para o paciente.

Como saber se você deve procurar ajuda

Se você ainda tem dúvida, vamos simplificar.

Responde isso:

  • Você ronca quase todas as noites? Caso não perceba, pergunte seu(ua) parceiro(a)!
  • Acorda cansado mesmo dormindo bem?
  • Alguém já percebeu pausas na sua respiração?

Se respondeu “sim” para algum deles, vale investigar.

Você pode começar hoje: Observe seu sono. Como você acorda? Como você se sente ao longo do dia? Preste atenção na frequência do ronco e faça pequenos ajustes.

Evite álcool antes de dormir, crie uma rotina de sono, cuide do ambiente do quarto. Isso já muda muita coisa.

Se mesmo assim os sinais persistirem, não ignore. Buscar avaliação é o próximo passo. Principalmente se há impacto na sua qualidade de vida ou dúvida sobre a gravidade.

Se você se identificou com esses sinais, talvez seja hora de investigar. Dormir bem não é luxo, é necessidade.

Roncar não é só incômodo

Vamos quebrar essa ideia. Roncar não é só barulho, pode ser um alerta. E você não precisa se acostumar com o cansaço.

Existe explicação e solução.

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Priscila Mageste

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Médica especialista em Neurologia pela UFF e especialista em Medicina do Sono pela USP. Minha paixão pela neuroanatomia surgiu nos primeiros semestres da graduação.

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